Calhetas – Uma tarde. Uma Praia.

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Uma manhã de Julho.  Quatro pessoas num carro e uma vontade: curtir uma das praias mais paradisíacas de Pernambuco – Calhetas! O dia mal amanhecia e já tínhamos partido em direção ao litoral sul. Com as novas rodovias pedagiadas, a viagem não é tão ruim quanto costumava ser pelas rodovias federais, mas agora custa um pouco mais (cerca de R$ 5,90 para carro de passeio). A chegada é pelo alto e já dá para ir percebendo, lá de cima, o formato da praia e a cor do mar. Não é azul cintilante, mas é uma composição linda de se ver.

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chegada a calhetas

Para chegar até a praia você vai precisar descer a pé. Acessibilidade zero. As formações rochosas fazem da praia um reduto. Essa dificuldade de acesso e o seu formato que impede um contato mais direto com as praias ao redor, fazem de Calhetas um lugar mais reservado, sem toneladas de gentes ocupando cada centímetro quadrado. Isso acaba causando uma sensação de privacidade.

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Para o lado direito da praia, lance-se à “aventura” de fazer uma pequena caminhada por entre os matos e rochas e não haverá arrependimento. De cima das rochas, há um visual panorâmico, um contato com um mar revolto. Essa área, contudo, necessita de atenção. A maior privacidade proporcionada pelas rochas deixa as pessoas mais “à vontade”. Casais que resolvem mostrar o amor ao mar, amigos que querem compartilhar um cigarrinho controverso. Mas, nada num clima de insegurança, apenas de, diga-se, “liberdade”…

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Calhetas não é um lugar completamente ermo. Não é isolada e sem infraestrutura, como tantas praias do Nordeste, ainda inexploradas. Há barezinhos, restaurante e, até, um lugar para fazer tirolesa! Na areia, rola uma musiquinha com rock nacional e internacional. Bem agradável!

tirolesa em calhetas

Tirolesa em Calhetas!

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Como é comum às praias do Nordeste, a água de Calhetas é bem morna. Mas, atenção! Por ser uma praia de “mar aberto”, com poucos passos a profundidade do mar aumenta consideravelmente. Então, se você não sabe nadar, ou está com crianças, um pouco mais de atenção e o passeio será incrível!

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Catimbau – Trilha no Sertão de Pernambuco

Ao se chegar ao município de Buíque, não dá para ter ideia da dimensão do que se vai visitar em poucos minutos. Buíque é como qualquer cidade do interior brasileiro: pequenas ruas, calçadas estreitas, uma calmaria reconfortante observada pelas casinhas modestas de fachada “porta e janela”. O ambiente é quente e seco, deixando na pele uma sensação árida e áspera, mas limpa, sem suor. O Sol é forte e decidido, como convém ao Sertão. Nada, portanto, anuncia a grandeza das paisagens exuberantes do Parque Nacional do Vale do Catimbau.

Há duas versões – creio que não oficiais – para o nome Catimbau. A primeira diz que o nome deriva da expressão “morro que perdeu a ponta”, referência às formações rochosas rombudas da região. A segunda versão conta que o nome deriva do termo “catimbó”, que era uma prática religiosa indígena-católica típica da região.

O Parque é uma reserva ecológica e geológica localizada no Sertão de Pernambuco e que abrange os municípios de Buíque, Tupanatinga e Ibimirim. A entrada por Buíque é um caminho de terra ao qual apenas se chega de carro, ônibus ou pau de arara. Estacionando no meio do completo nada, o guia nos leva serra acima por um percurso de areia branca finíssima como de praia. A vegetação, nesse momento, começa a exibir seu espetáculo de palmeiras, suculentas, cactáceas e toda sorte de planta típica da Caatinga do Sertão do Nordeste brasileiro.

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A caminhada não é intensa, nem a subida íngreme demais que desmotive qualquer pessoa. Claro, pessoas com redução de mobilidade devem evitar esse passeio. Há momentos em que se caminha por uma área larga de formações rochosas que mais parecem um casco de tartaruga. Em outros momentos, o caminho é estreito e só admite a contemplação de uma pessoa por vez.

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A cada dez passos que se dá, um descortinamento de paisagem novo se abre diante de nossos olhos, nos embasbacando com tamanha beleza da Natureza.

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Há diversas trilhas oferecidas pelos guias e cada uma vai lhe apresentar coisas magníficas, desde pinturas rupestres até grandes cânions e formações rochosas impressionantes.

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O meu passeio favorito é aquele que nos leva pelas “Três torres” e inclui uma passagem por escavações naturais nas rochas e que expuseram uma profusão de amarelos, vermelhos e laranjas causados pela alta concentração de ferro – assim nos disse o guia. As formações são imensas e impressionantes. Você não vai se esquecer daquelas cores jamais!

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Programe seu passeio de modo que, ao final, seja possível contemplar o por do Sol do alto de algum morro. Com a baixa umidade do ar, o espetáculo será estonteante, cheio de laranjas, amarelos e vermelhos, que reforçam as cores naturais do lugar. Informe-se com o guia sobre o tempo de cada trilha. Normalmente, para os mais dispostos, dá para fazer duas trilhas no mesmo dia.

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Claro, não é demais lembrar que, ao longo do percurso, não há pontos de venda de bebidas, nem tampouco de comidas. Assim, é altamente recomendável levar seus próprios mantimentos. Assim como deve-se trajar roupas leves e claras, tênis, aplicar – e reaplicar! – protetor solar e um eventual chapéu. Lembre-se, também, de usar roupas resistentes. A vegetação de Caatinga pode ser bela, mas é igualmente bruta, com muitos espinhos e galhos secos. Um pouco de proteção, portanto, para evitar maiores contratempos.

Serviço

Quando ir?

O melhor período para visitar o Parque, na minha opinião, é entre os meses de Novembro e Março. Nessa época, dá para ter os melhores pores de sol que você irá ver na vida!

Como chegar?

Para chegar ao Parque, dirija-se ao Município de Buíque, a cerca de 280 km da capital Recife, através da BR 232 – Rodovia Luiz Gonzaga. Ao chegar no município de Arcoverde, acesse a PE-270 e siga até Buíque. Atenção nessa estrada, que, apesar de estar renovada, é faixa única e com muitas curvas.

Como visitar?

O Parque conta com uma Associação dos Guias do Vale do Catimbau, que funciona numa modesta casa no centro de Buíque. Lá você vai encontrar profissionais qualificados e que conhecem o Parque como a palma da mão.

Não vá se meter a explorar o parque desacompanhado! A probabilidade de não acabar bem é alta!

Os guias oferecem cerca de 12 trilhas distintas com duração entre 1 hora e 30 minutos e 3 horas.

Onde ficar?

As hospedagens estão localizadas no município de Buíque e são suficientes para passar a noite e encarar outro dia de trilhas.

Pousada Nossa Senhora das Graças [não visitamos]
Rua São João, 91, Centro.
fone: (87) 3855-1128

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