Villa General Belgrano – A Gramado Argentina

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Ok. Você aproveita toda promoção de passagem para a Argentina e já conhece Buenos Aires de cabo a rabo. Também já explorou os vinhedos de Mendoza e foi ver as neves pro lado de Bariloche, mas existe um outro destino naquele país que merece a sua atenção na sua próxima visita: a charmosíssima Villa General Belgrano.

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A cerca de 90 km ao sudoeste de Córdoba, General Belgrano fica a duas horas de ônibus e é uma joia do interior argentino. Com forte influência alemã, a cidade conta com belos edifícios, lojas que vendem chocolates, cervejas de boa qualidade e um clima invejável de cidade amada de interior. É impossível não se lembrar de Gramado, no Rio Grande do Sul. Claro, devemos guardar as proporções: Villa é bem menor que a cidade brasileira, mas igualmente charmosa. Entretanto, não vá esperando rodízios de Fondue, mulheres de botas acamurçadas e casacos com plumagens. O pessoal, aqui, veste tênis e moletom. É, falta um pouquinho de charme nisso, mas dá um clima de descontração que lhe faz sentir-se em casa rapidamente.


+ 6 Razões para conhecer Mendoza, na Argentina


A cidade é tão gracinha que, à noite, entramos numa lojinha de regalitos e o vendedor nos reconheceu! Sim, ele era o garçom que nos tinha atendido durante o almoço num dos restaurantes da cidade (Potrerillo). Não tem como não se sentir parte da comunidade imediatamente, né?

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As lojas são, em sua maioria, temáticas, com bonequinhos e estátuas decorativas de um gosto, digamos, duvidoso…

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Os chocolates são deliciosos, mas nada de outro mundo. Não deixe de experimentar e levar uma caixinha de presente.

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Experimente o alfajor local, cordobês. Mais suave e fofinho do que o alfajor de Buenos Aires.

Villa General Belgrano está numa área de beleza natural exuberante. Assim, não deixe de caminhar pelo Parque Ecológico até encontrar o arroyo (córrego de água). As crianças se divertem tomando banho nas pequenas quedas d´água, os adultos aproveitam lendo um livro ou passeando seus cachorros.

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Tem gente que toma banho nesse riacho. Particularmente, eu não me atrevi, mas eu sou frouxo…



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Como Chegar e Quanto tempo ficar?

A maneira mais fácil de chegar é pegar um ônibus no terminal de Córdoba. A empresa é a Buses Lep, o trajeto é até Santa Rosa de Calamuchita,  custa cerca de AR$ 135 (pesos argentinos) e a viagem dura cerca de 1h30min. Preste atenção na estação ao seu ônibus. Verifique o roteiro na frente do ônibus e certifique-se com o motorista se aquele é o seu veículo. Aí é só embarcar e aproveitar a vista que é linda até a cidade!

A programação em General Belgrano deve ser: um passeio a pé para conhecer a cidade, subir no mirante do museu (uma torre alta da qual se pode ter uma visão panorâmica da cidade), um almoço em um dos bares ou restaurantes na avenida central e terminar a tarde no Parque Ecológico. Depois, jante em outro bar e siga para a rodoviária para pegar seu ônibus até Córdoba. A cidade é MUITO pequena e tudo pode ser feito a pé. E um dia é o suficiente para conhecê-la.

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6 razões para conhecer Mendoza, na Argentina

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A Argentina é a grande queridinha dos brasileiros, na América do Sul. É difícil achar algum viajante, hoje, que não tenha ido ou que não tenha planos de conhecer a lindíssima capital federal Buenos Aires (a gente já falou dela aqui). De fato, se não a conhece, reserve a passagem e não perca tempo. Agora, a Argentina não é somente Buenos Aires. Não, senhor! É um país diversificado e com muitas regiões interessantes e que valem a visita. Hoje eu vou tentar lhe convencer a visitar Mendoza, no Centro Oeste argentino. Rá! Trabalho fácil!

1. Mendoza tem a calma das cidades do interior

Mendoza

Mendoza está a 1000km da capital Buenos Aires, aos pés da Cordilheira dos Andes e cerca de 115 mil habitantes, apesar do quase 1 milhão de pessoas que moram na Grande Mendoza. Isso tem cheiro de cidade de interior! E é! Mendoza pode pagar de moderninha, com sua Av. Aristides cheia de bares e restaurantes descolados, com seu ar turístico, mas nas suas veias correm águas interioranas e tudo de bom que isso traz. Uma cidade calma, tranquila, em que as pessoas não correm. Não há pressa. Bom para passar uma tarde jogado em algum lugar observando o tempo passar.

2. Compartilhar da Siesta

 

Se você tiver alguma compra para fazer, melhor correr na loja antes das 12h, ou correrá o risco de ter que esperar, às vezes, até as 17h. Mendoza ainda mantém a tradição da hora da siesta e o comércio fecha MESMO. Se você marcou bobeira e chegou tarde, junte-se a eles e vá para algum parque ou praça deitar numa graminha e tirar uma sonequinha . Duro vai ser querer levantar depois e seguir com o passeio…

Mendoza

3. Vistas magníficas

De vários lugares de Mendoza, você consegue avistar o que eles chamam de pré-cordilheira dos Andes. São impressionantes montanhas nevadas que fazem um pano de fundo surreal para a cidade. Ainda mais surreal quando você se lembra que Mendoza está enfiada NO MEIO DO DESERTO! Realmente, preste atenção aos canais que cortam a cidade quase que completamente. Eles são parte da estrutura de irrigação que permitiu a Mendoza se desenvolver e poder ser considerada um verdadeiro oásis.

Mendoza


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4. Conhecer Vinícolas e Tomar uns Bons Drinks

A região de Mendoza é conhecida mundialmente por seus vinhos e vinhedos. Aliás, a região é reconhecida pela produção do vinho Malbec, tipicamente argentino. São muitas as vinícolas que cercam Mendoza e elas são de todos os tamanhos. Desde as pequenas e familiares, até as  grandes de caráter industrial. E não falta quem venda passeios para conhecer essas vinícolas. O passeio mais famoso é o Bus Vitivinícola, que não é bem um passeio, mas um ônibus que passa periodicamente por percursos determinados entre as vinícolas e que lhe permite embarcar/desembarcar por um período de tempo. Ótimo para quem vai tomar umas tacinhas de vinho e não quer se preocupar em ter que dirigir depois.

 

vinhos maturando

 

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5. Mangiare Olive

Você não sabia. A gente não sabia. Ninguém parecia saber. Por isso foi uma grande surpresa chegar a Mendoza e descobrir que eles produzem não apenas excelentes vinhos, mas, também, excelentes azeites! Os óleos são produzidos também nos arredores de Mendoza e muitos lugares vendem passeios para as vinícolas em conjunto com as fábricas de azeite. Não deixe de experimentar e comprar garrafas de diversas variedades, especialmente pelos preços super atrativos. O problema é que você nunca mais vai querer saber do Galo…

 

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Degustação de azeite com direito a guia falando português na fábrica Pasrai

 

o doce sabor das azeitonas

Dica: azeitona, só depois de muito processamento. Não prove crua! Amarga até hoje…

 6. Se jogar na neve (de maneira mais barata)

A partir de Mendoza você consegue chegar na Cordilheira dos Andes e, se for inverno, ela estará coberta de neve branquíssima! E, o melhor de tudo: subir na Cordilheira pelo lado Argentino é muito mais barato do que pelo lado chileno. Obviamente, isso reflete na estrutura disponível para o turista. Mas, se você, assim como a gente quando chegou a Mendoza pela primeira vez, não foi apresentado à neve ou só quer um lugar para descer de esquibunda e tirar fotos legais, pode se jogar no passeio que os visuais são incríveis!

vista das cordilheiras

Mendoza

A gente gravou um vídeo mostrando Mendoza. Confere aí!


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Buenos Aires – Il Gatto Tratoria: Fast Food pra fugir do Junk Food.

Buenos Aires - Il Gatto Tratoria
Buenos Aires - Il Gatto
Um ambiente agradável e bem cuidado

Quando se pensa em viagem internacional e a palavra de ordem é pindaíba restrição monetária, a primeira coisa a sofrer é a alimentação. Então, os fast foods de sanduíches acabam imperando por sua facilidade de serem encontrados em qualquer país do mundo, por seus preços naturalmente baixos e por sua rapidez de preparo.

Agora, convenhamos que a pessoa se desbancar daqui pra outro país viajar, conhecer outras culturas, falar outros idiomas e, na hora de se alimentar, comer o mesmo tipo de comida que acha em casa é uma lacuna na experiência da viagem, né?

Então, como se alimentar em outro país sem ficar pobre comprometer o orçamento da viagem? Nossa dica é procurar por restaurantes fora do circuito turístico, em bairros e regiões mais residenciais. Foi assim, caminhando por las calles de Buenos Aires que encontramos a grata surpresa do Il Gatto Tratoria, uma rede de fast food argentina especializada em massas. Não digo que vá ser uma experiência gastronômica inesquecível, mas ele é surpreendente quando se analisa a relação custo x benefício.

Logo de cara, já percebemos que era um restaurante frequentado pelos locais, pela quantidade de famílias jantando no lugar, inclusive com carrinhos de bebês. Esse era o local que a galera adorava! Foi lá que resolvemos jantar!

De entrada, pedimos bastões de Mozarella empanada com molho de tomate. Um prato simples assim deveria ser bem sem graça, né? Mas não! A fritura era bem sequinha, a muçarela deliciosa e o molho de tomate muito bem feito!

Buenos Aires - Il Gatto Tratoria
Bastões de muçarela empanada com molho de tomate

Depois, pedimos duas massas igualmente bem feitas e honestas no sabor. O meu era um Tagliatelle com molho de tomate e o de Dani era um ravióli – eu acho – também com molho de tomate. O legal é que o próprio garçom rala o queijo parmesão na sua frente, na hora em que ele deixa o prato. Esse tipo de finalização à mesa sempre é um toque charmoso e atrativo! E olhe que estamos falando de fast food!

Buenos Aires - Il Gatto Tratoria

Buenos Aires - Il Gatto Tratoria

Não me lembro do valor final da nossa comilança, mas me lembro que não foi nada exorbitante. E, com o serviço de qualidade que eles oferecem, eu acho que vale demais a visita. Aliás, na minha próxima ida à Argentina, já está marcado na minha agenda!

Serviço

Como é uma rede de Fast Food, procure no site deles as lojas mais próximas da sua localização e aproveite!

www.ilgatto.com.ar

Curiosidade sobre os restaurantes de Buenos Aires

Quando sua conta chega à mesa, você percebe que existe a cobrança de uns tais de cubiertos e, tenho certeza, você não pediu um prato de cubiertos e nem o garçom está tentando lhe empurrar uma cobrança de algo que você não pediu. Os cubiertos são os talheres e cobrar por eles é uma tradição antiga na Argentina e que, graças à globalização do turismo, vem caindo em desuso nos restaurantes e congêneres. Se você recebeu uma cobrança dos cubiertos, não fique indignado querendo bater o cabelo argumentar com o gerente sobre as motivações absurdas da cobrança. Aceite, pague e saiba que esse é um costume que, com sorte, você não encontrará mais na sua próxima visita à cidade! =D

Serviço de Bordo.com também é cultura! Rá!

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Buenos Aires, Argentina – Centro

CENTRO

O centro da cidade, assim como qualquer centro de qualquer cidade grande do mundo, fervilha de gente e carros. Nessa região estão concentradas as sedes do Governo argentino, do Banco Nacional, a Catedral de Buenos Aires e muitas outras edificações. O centro vai ocupar boa parte de seu tempo em caminhadas e descobertas.

Para o Centro, reserve um dia inteiro da sua visita!

Comece pela Plaza de Mayo. Palco dos protestos argentinos, todas as quintas-feiras a Plaza acolhe o protesto dos pais que tiveram seus filhos tomados à força durante o período da ditadura. Esse é mais famoso protesto e que ocorre periodicamente desde o fima do regime totalitarista. O motivo pelo qual a Plaza de Mayo é o local favorito dos protestos é que,justamente nela, fica localizada a Casa Rosada, sede do Governo argentino.

Acompanhar um desses protestos lhe dará uma dimensão da energia saudosa e injustiçada que essas mães e pais acumularam ao longo dos anos. É uma experiência plenamente autêntica e que deve ser tratada de maneira respeitosa. Ali, en sus panuelos blancos, estão famílias apartadas em busca da verdade.

Casa Rosada

Você ficará maravilhado ao admirar a Casa Rosada e ao saber que essa construção começou a existir aí em 1713 e ela nasceu como um forte de defesa e abrigo aos comandantes espanhois. Mas ela não está “pronta” desde o começo. O que se vê, hoje, como uma única Casa Rosada é, na verdade, a junção de diversas edificações ao longo dos anos. Em 1873, o presidente Sarmiento ordenou a construção do Palacio de Correos, na demolida ala sul do Forte que ali se encontrava. Foi somente muito depois das construções iniciais da Casa de Gobierno e do Palacio de Correos  que se contratou ao arquiteto Francisco Tamburini para que ele projetasse uma interligação das edificações. Surge, então, o arco central que se pode admirar da Plaza.

casa rosada

A Casa Rosada e sua história completa pode ser conhecida em tours guiados. O Palácio abre suas portas todos os sábados, domingos e feriados das 10h às 18h. As entradas acontecem de 10 em 10 minutos e duram cerca de 60 minutos. As visitas são em espanhol, português e inglês e a entrada é franca! Não deixe de visitá-la!

Uma vez ali, conheça a Catedral Metropolitana. Com sua fachada neoclássica do Século XIX, a Catedral está localizada na Plaza de Mayo e encontra-se em plena atividade. Se você quiser assistir a uma missa no idioma original de Vossa Iminência o Papa Francisco, dá uma checada nos horários antes de chegar por lá!

Interior da Catedral Metropolitana de Buenos Aires
Interior da Catedral Metropolitana de Buenos Aires
Detalhes da belíssima Catedral. Destaque para o piso em mosaico!
Detalhes da belíssima Catedral. Destaque para o piso em mosaico!

De lá, decida se vale a pena esticar um pouco para conhecer o Café Tortoni (Av. de Mayo, 825), que é um café tradicional da cidade e que se mantém fiel aos seus primórdios.Vale a pena se você curte coisas pitorescas e históricas. Nós também curtimos, mas, particularmente, nós nunca fomos. O café virou uma grande atração turística e perdeu, na nossa opinião, a vocação de um café, que é, justamente, oferecer um lugar tranquilo para um descanso do agito urbano.Assim, só passamos na frente. É um lugar para turistas e com filas enormes. Sem chances! Preferimos explorar e encontrar outros lugares nos arredores para comer. Mas, não deixe de ir se for a sua praia. Pode ser que, na próxima, eu passe por lá.

Além dos serviços básicos de um café, o Café Tortoni oferece, diariamente, shows de Tango, todos à noite.

Obelisco

Lá da pontinha da Plaza de Mayo, olhando pela avenida Pres. Roque Sáenz Pena, você poderá avistar um dos mais famosos monumentos de Buenos Aires: o Obelisco. Ele está localizado no encontro da Avenida Corrientes com a Avenida 9 de Julio e foi erguido como uma comemoração aos quatrocentos anos de fundação da cidade de Buenos Aires, em 1936. É projeto do arquiteto Alberto Prebisch (não deixo de puxar a sardinha dos arquitetos! =D) e tem o formato básico de um obelisco. Sem firulas. Mas a sensação de estar perto do monumento localizado no encontro das avenidas mais emblemáticas da cidade é impressionante, divertido, interessante. Vale lembrar que a avenida 9 de julio é a mais larga da América do Sul.

O Obelisco marca o encontro das Avenidas Corrientes e 9 de Julio
O Obelisco marca o encontro das Avenidas Corrientes e 9 de Julio

Se você decidiu dar uma olhada no Café Tortoni, é só seguir pela avenida de Mayo até a 9 de Julio e seguir para a direita, guiando-se pelo próprio Obelisco. =D

Seguindo pela Avenida de Mayo, cruzando a 9 de Julio, você estará a caminho do Congreso Nacional (Av. Rivadavia, 1864). O edifício é aberto à visitação do público de segunda a sábado em quatro horários: às 11h, às 13h, às 15h e às 17h. As visitas duram, em média, 60 minutos.

O imponente edifício do Congresso Nacional Argentino.
O imponente edifício do Congresso Nacional Argentino.

Teatro Colón

O Teatro Colón (Tucumán 1171) é outro edifício emblemático da capital argentina e está lá desde 1908. Anteriormente, o Teatro ocupava o edifício que fica na Plaza de Mayo e que, hoje, está ocupado pelo Banco de La Nación Argentina. O projeto original desse edifício é do arquiteto Fracisco Tamburini (o mesmo que deu a feição atual da Casa Rosada), mas sofreu influências de outros arquitetos que continuaram a obra após o falecimento de Tamburini e, em 1908, é inaugurado já com claras influências do estilo eclético, dominante no início do Século XX.

O teatro oferece visitas guiadas todos os dias, inclusive feriados (exceto dia 1 de Maio, 24, 25, 31 de Dezembro e 1 de Janeiro). Atenção! Quando há atividades no teatro, aos Domingos, às 11h, as visitas são canceladas entre 10h e 13h30min. Quando há atividades às 17h, a última visita guiada será às 15h. Verifique o site do Teatro antes de programar sua visita. As visitas duram cerca de 50 minutos e custam $180 pesos argentinos.

Galerias Pacífico

O Galerías Pacífico (calle Florida y Av. Córdoba) é um dos prédios mais conhecidos e venerados de toda a Buenos Aires. No coração da cidade, na esquina da Calle Florida com a Av, Córdoba, o prédio foi projetado pelos arquitetos Emilio Agrelo e Roland Le Vacher em 1889 e já abrigou diversos usos. Feito aos moldes do Le Bon Marché parisiense, já foi abrigo ao Museo Nacional de Bellas Artes e para um conjunto de escritórios para a Buenos Aires and Pacific railway. Daí em diante, o prédio passou a ser conhecido como Edifício Pacífico, em alusão ao nome da empresa que dominava o edifício. Em 1989 a construção foi declarada como Monumento Histórico Nacional.

O prédio, hoje, é sede do shopping center mais emblemático de Buenos Aires e conta com as mais diversas lojas, das mais diversas marcas argentinas ou estrangeiras. O condomínio oferece passeios guiados pelo prédio em quatro idiomas (português, Inglês, espanhol ou  francês) que duram cerca de 20 minutos. Os passeios ocorrem de segunda a sexta, às 11h30 e às 16h30, saindo da majestosa cúpula central. Antes de começar o passeio, peça o seu fone de tradução no posto de informações no térreo.

Puerto Madero

O Puerto Madero como se encontra hoje é resultado de um processo de requalificação urbanística das frentes de água de Buenos Aires. Primeiro porto da cidade, o Puerto Madero, como toda área portuária erguida nos séculos passados, tornou-se uma área degradada e de pouca relação com a cidade, tornando-se um entrave na ligação física e sentimental da cidade com o seu rio. Múltiplos planos foram desenvolvidos para o porto, mas foi somente em 1989 que o Governo argentino assinou um conjunto de medidas que facilitariam os aportes de investimentos financeiros na área. Foi assim que, nos anos de 1990, surgiram os restaurantes elegantes, as lojas chiques, algumas universidades, hoteis, cinemas e tudo o mais que dá fama ao local.

Puerto Madero à noite: iluminado, mas meio deserto.
Puerto Madero à noite: iluminado.

Um passeio pelo local é extremamente recomendado no final da tarde/começo da noite, com o clima mais ameno e curtindo uma caminhada, tomando um sorvete Freddo e, quem sabe, curtindo um jantar em algum restaurante da área ou num boliche de ritmos latinos! Quando fomos, nós ficamos só no passeio + sorvete = felicidade garantida. O Puerto é grande, é divertido, é bonito, é animado. Destaque para os grandes guindastes que ficaram por lá e, à noite, são iluminados.

O complexo de edifícios comerciais em Puerto Madero. Uma espécie de "Financial District" da Argentina.
O complexo de edifícios comerciais em Puerto Madero. Uma espécie de “Financial District” da Argentina.

FIY: Boliche é como os portenhos chamam as baladas dançantes em Buenos Aires.

Em Puerto Madero estão também outros elementos conhecidíssimos da cidade, como a famosa Puente de la Mujer, do renomado arquiteto Santiago Calatrava. A Ponte está localizada ligando o lado leste ao lado oeste do Puerto, tem 170m de comprimento e é exclusiva para pedestres. A porção central da ponte é rotatória, para permitir a navegação daquela porção do rio da Plata.

Puente de La Mujer
Puente de La Mujer

O desenho da ponte (dizem que inspirado num casal dançando Tango) imprime uma aparência única ao monumento e já se tornou, em pouquíssimo tempo, um cartão postal da cidade (como é corriqueiro com as obras de Calatrava, mundo afora). Você tem que fazer a travessia dessa ponte! E, se encontrar a ponte aberta para a passagem de um barco, não deixe de fazer essa foto rara!

Percurso sugerido

Percurso a pé para ir descobrindo tudo! =D
Percurso a pé para ir descobrindo tudo! =D

Um percurso que a gente sugere – por ter feito exatamente esse – é:

  1. Comece pela Plaza de Mayo (Casa Rosada, Catedral Metropolitana, Banco da Nación) pela manhã
  2. Siga pela Avenida de Mayo (Café Tortoni) até o Congresso. Ali, faça fotos do Congresso, aproveite a praça em frente a ele e, se quiser, faça o passeio guiado.
  3. Suba pela Avenida Callao até a Av. Corrientes e desça até o Obelisco.
  4. Siga caminho pela Avenida 9 de Julio, passando pelo Teatro Colón, até chegar à av. Cordoba.
  5. Desça a Avenida Cordoba até as Galerias Pacífico, visite, faça compras, faça um lanche.
  6. Siga o caminho pela Av. Cordoba até Puerto Madero e finalize seu dia por lá.

 

O centro de Buenos Aires é encantador, cheio de edifícios e urbanismo históricos, repleto de coisas e lugares para se ver. A caminhada é agradável no ritmo que for. Buenos Aires é uma cidade arborizada, de calçadas planas, quase sem buracos e que convida ao passeio a pé. Vá se perder nas ruas dessa cidade fantástica e que a gente ama!!! Boa viagem!

Mais sobre Buenos Aires

 

Introdução – Buenos Aires, Argentina

Palermo – Buenos Aires, Argentina

Recoleta – Buenos Aires, Argentina

Buenos Aires, Argentina – Recoleta

RECOLETA

 

O bairro da Recoleta Fonte - Google Maps
O bairro da Recoleta
Fonte – Google Maps

A Recoleta é um bairro de tradição aristocrática. Não é à toa que, nele, encontra-se o mais emblemático hotel de Buenos Aires: o Hotel Alvear (Av Alvear 1891). O hotel é uma lembrança bastante viva da época de pujança econômica da Argentina, com suas 5 estrelas, Halls extermamente bem cuidados, banheiros com metais dourados e um atendimento impecável. No Hotel, há um restaurante: o L’Orangerie. Não deixe de aproveitar o serviço de chá da tarde oferecido pelo restaurante! Eles lhe servem com toda a pompa e circunstância que a ocasião merece, mas isso não significa que você precisa vestir algo como smoking e cartola. Uma roupa mais arrumada já vai dar conta do recado para você poder saborear os chás ou chocolate quente e os petites-four servidos. Tudo MUITO gostoso!

Chá da Tarde no Alvear Palace
Chá da Tarde no Alvear Palace

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Ainda na Recoleta, não deixe de visitar o cemitério. Sério! O cemitério da Recoleta (Junín 1760) é um espetáculo da escultura e, por que não, da arquitetura. Esse era o cemitério dos ricos portenhos e, como consequência, os mausoléus são extremamente bem arquitetados e com influências de diversos estilos, inclusive o neogótico e o modernista. Destaque para o misterioso túmulo de Eva Perón (dizem que os restos mortais dela não estão ali…) e o mausoléu do ex-presidente Alfonsín. Existem alguns guias que oferecem um tour pelo cemitério, mas nós fomos por conta própria, mesmo.

O mausoléu do ex-presidente Alfonsín
O mausoléu do ex-presidente Alfonsín
O Túmulo da Família Duarte
O Túmulo da Família Duarte

Na frente do cemitério, tem uma praça e, ali, está uma filial da Sorveteria Freddo. Momento tenso! Esse é, simplesmente, o melhor sorvete que eu já provei! Vá lá, aproveite o dia, peça pelo menos um sabor dos de doce de leite (dulce de leche con brownie é, absolutamente, o campeão!). Não é barato. Já não era quando fomos, hoje, com a inflação, deve estar ainda mais caro. Mas, não se faça de rogado nem de pão duro. Gaste! Vale a pena!

Sorvete de Dulce de leche con Brownie. É relação de amor eterno!
Sorvete de Dulce de leche con Brownie. É relação de amor eterno!

No bairro você ainda encontra o Buenos Aires Design, uma loja com três pavimentos recheados de elementos de design autoral. Tem de tudo para casa como cortinas, descansos de prato, utensílios e a lista não termina! Nós passamos algumas horas lá dentro, na maior diversão.

Bem perto do Buenos Aires Design (Av Pueyrredón 2501) você vai encontrar o Museo Nacional de Bellas Artes (Av del Libertador 1473) e o prédio da faculdade de Direito da Universidad de Buenos Aires. O Museo vale a pena por conter grandes obras, mas não achei tão legal quanto o MALBA. O prédio da Faculdade de Direito é impressionante, tanto por sua escala monumental quanto por sua forma de linhas clássicas e imponentes. Não conseguimos entrar no prédio, mas só a vista de sua fachada já é instigante. E, do lado da faculdade, uma das esculturas mais conhecidas da Argentina: a Floralis generica.

A imponente Faculdade de Direito
A imponente Faculdade de Direito

A escultura é uma gigante flor metálica e foi um presente do arquiteto argentino Eduardo Catalano. Um mecanismo elétrico faz com que a escultura se feche e abra diariamente, acompanhando o nascer e o pôr do Sol (tem gente que mora lá e jura de pés juntos que nunca viu essa flor se mexer nem um centímetro…). Vai saber, né? Mas vale a parada e a foto! Se você quiser se misturar aos locais (e se for verão, claro), você vai gostar de se esticar na grama junto aos moradores de roupas de banho. Uma espécie de “praia” urbana sem água e sem areia…

Floralis generica
Floralis generica

Ainda na Recoleta você vai encontrar a que já foi considerada a segunda livraria mais bonita do mundo: El Ateneo Grand Splendid (Av Santa Fe 1860). Um antigo teatro desativado transformado em livraria e que conservou a maior parte de suas características originais. O palco deu lugar a um café que nós não chegamos a experimentar. Os antigos camarotes foram transformados em áreas de exposição dos livros e possuem alguns bancos e cadeiras, tornando-se em cabines de leitura. Conhecer o Ateneo é um ótimo passeio tanto para os amantes de livros quanto para os amantes da arquitetura. É um deleite para os olhos! Claro, rato de livraria que sou, acabei comprando uns livros por lá! =D

El Ateneo - antigo palco transformado em café
El Ateneo – antigo palco transformado em café
El Ateneo - antigos camarotes viraram áreas de exposição e leitura
El Ateneo – antigos camarotes viraram áreas de exposição e leitura

O bairro da Recoleta não foge à regra básica de Buenos Aires: vá caminhando e experimentando o bairro no seu máximo. É uma imersão no que foi a aristocrática Argentina do início do Século XX, com seus prédios de bancadas que se debruçam nas calçadas como velhas senhoras a espiar o que se passa por ali. Vá olhando de volta, descobrindo o que essas distintas senhoras têm a lhe contar.

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Introdução – Buenos Aires, Argentina

Palermo – Buenos Aires, Argentina

Centro – Buenos Aires, Argentina

 

Buenos Aires, Argentina – Palermo

PALERMO

 

A região de Palermo Fonte - Google Maps
A região de Palermo
Fonte – Google Maps

Palermo é um bairro divido em diversas microrregiões como Palermo Soho, Palermo Hollywood, Palermo Chico e quantos mais palermos a criatividade dos porteños permitir criar. Cada Zona tem suas especificidades, mas a verdade é que todas elas compartilham de um ar menos frenético em comparação ao centro, por exemplo. Nessa região está localizado o Aeroparque Internacional Jorge Newbery, o aeroporto que fica dentro da cidade e é chegada para alguns voos vindos do Brasil ( a outra opção é o aeroporto de Ezeiza, que fica fora de Buenos Aires e recebe a maior parte dos voos brasileiros). Em Palermo, você não pode deixar de fazer um piquenique nos famosos bosques. O bairro é uma grande área verde na cidade e você vai ver como até o clima muda. O ar fica mais puro, o barulho de carros fica mais ameno e as pessoas, mais simpáticas. É muito comum, no verão, ver crianças de todas as idades se refrescando nas fontes. Tudo numa grande celebração do espaço público. Bonito de se ver!

Os caminhos dos Bosques de Palermo
Os caminhos dos Bosques de Palermo
O Lago do Bosque
O Lago do Bosque

Para o seu piquenique, passe em alguma padaria, algum mercado ou, até mesmo, em algum Kiosco e compre guloseimas para passar algumas horas sentado na grama desfrutando de uma manhã ensolarada à beira do lago na companhia dos patos que lá moram. Os Kioscos são uma instituição argentina que se assemelham aos nossos fiteiros, mas são um pouco mais organizados, vendem de balas a jornais e são de domínio dos imigrantes orientais. Existem os Kioscos, que são banquinhas na rua, e os MAXI Kiosco, que são lojinhas, normalmente nas esquinas, e que possuem uma variedade maior de produtos, se aproximando das nossas mercearias. Os Kioscos são a sua oportunidade de comprar um Alfajor de cada marca e fazer uma degustação, para decidir qual o seu preferido (eu tenho o meu preferido…)! Diversão garantida!

Kiosco - Paraíso dos loucos por brebotes (balas, bombons, doces e outras coisas quaisquer carregadas de açúcar)
Kiosco – Paraíso dos loucos por brebotes (balas, bombons, doces e outras coisas quaisquer carregadas de açúcar)

Visitar o Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (Av. Figueroa Alcorta 3415), o MALBA, também é parada obrigatória. Além do próprio prédio, que é uma bela obra de arte arquitetônica, o museu reúne toda sorte de obras de artistas desde o México até a Argentina. Nomes como Diego Rivera, Tarsila do Amaral (O Abaporu tá lá, minha gente!), Frida Kahlo e Emiliano Di Cavalcanti são “apenas” alguns dos nomes que integram a coleção do museu. Não são apenas pinturas, mas também desenhos, gravuras, fotografias e algumas esculturas. A visita vale à pena demais! Verifique horários e valores antes de ir até lá.

 

Fonte - Wikipedia do MALBA
Fonte – Wikipedia do MALBA

Na porção mais ao Nordeste do bairro, na região conhecida como Palermo Chico, você vai encontrar muitas embaixadas de diversos países. É uma região muito mais calma, muito mais arborizada, muito mais fidalga e elegante. Quando caminhamos por lá, encontramos muitas pessoas carregando suas sacolas recheadas de tacos de golfe entrando em carros dirigidos por seus motoristas vestidos à caráter. Outro nível… Mas vale a pena conhecer e sonhar! Vai no melhor estilo “se fui pobre, não me lembro” e se joga nas fotos! =D

Uma das coisas mais legais em Palermo é que o bairro é cheio de bares, restaurantes e lojas legais. Desde lojas locais até grandes lojas como Nike e similares. Eles se concentram na área compreendida entre as Avenidas Santa Fé, Av. Córdoba, Av. Raúl Scalabrini Ortiz e a Avenida Juan B. Justo.

A mágica região das lojas e restaurantes! Fonte - Google Maps
A mágica região das lojas e restaurantes!
Fonte – Google Maps

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Lojas super diferentes em Palermo
Lojas super diferentes em Palermo

Um dos lugares mais legais que nós encontramos foi a Muu Lecheria (Armenia, 1810), uma lanchonete com os dois pés nos anos 60 e que tem comidinhas deliciosas. Foi das refeições mais legais que tivemos em Buenos Aires

Uma das sobremesas servidas na Muu Fonte - Facebook da Muu
Uma das sobremesas servidas na Muu
Fonte – Facebook da Muu

Lá por Palermo, encontramos, também, a Papelera Palermo (Cabrera 5227). Essa Papelaria é fantástica! Aí jogaram um arquiteto e uma designer dentro da loja e deu o quê? LOUCURA! Tem papel para scrapbook, todo tipo de lapiseira, caneta, papel vegetal, papel manteiga, papel para presente e tudo o mais que a celulose puder produzir. Vale demais a visita e comprar uns souvenires para os amigos e familiares, como os simpáticos cuadernos de notas vendidos em sacos de feira.

Desculpem a qualidade da foto... Só tínhamos um celular peba =D
Desculpem a qualidade da foto… Só tínhamos um celular peba =D

Vá descobrindo o bairro aos poucos, a pé, lentamente. Parando de esquina em esquina, tomando um café, comendo algunas facturas en las panaderías. E jante em algum restaurante legal da área. Você entenderá, ao fim do passeio, o por que dos argentinos irem descobrindo um Palermo novo a cada dia.

Mais sobre Buenos Aires

Introdução – Buenos Aires, Argentina

Recoleta – Buenos Aires, Argentina

Centro – Buenos Aires, Argentina

Empanada: a identidade de uma nação

empanadas-argentinas
Empanadas Argentinas Fonte: receitasdecomidas.com.br

Visitar a Argentina pode ser uma experiência gastronômica interessantíssima! Confesso que, da primeira vez que fui, fiquei encantado com a culinária daquele local, sobretudo, com o que, para mim, reflete a identidade da nação argentina: a empanada.

Praticamente cada esquina desse país vende as famosas empanadas argentinas. Digo argentinas como um modo de diferenciá-las radicalmente das empanadas venezuelanas. E são muito diferentes em preparo e, por consequência, no sabor. A empanada venezuelana tem como característica marcante o fato de ser preparada frita, ao passo que a argentina é assada. Só isso já é motivo de grande diferença de sabor e de uma rusga velada entre os dois países na discussão de qual empanada é a melhor. Como já provei as duas, posso dizer: ambas são fantásticas!

Empanada de carne. Fonte: http://www.tahonapizzeria.com/
Empanada de carne. Fonte: http://www.tahonapizzeria.com/

A empanada argentina, de volta ao tema, é uma comida simples, com uma massa de um preparo mais complexo, que envolve grasa vegetal, farinha e ovos. A graça dessa comida, no entanto, está no recheio e na sutileza de sua apresentação.

Os recheios são os mais variados, sendo os mais tradicionais os de queijo e presunto (jamón y queso), cebola e queijo (cebolla y queso) e carne. E é no fechamento da massa que reside uma gentileza argentina das mais belas. Levemente torcida, a borda da massa dobrada conforma uma espécie de pastel com um acabamento delicado, irreprodutível por mãos desprovidas de vontade e carinho. Há, também, o ponto certo da cocção, que empresta um dourado apetitoso à massa. Isso tudo torna a empanada não apenas uma comida de esquina, mas uma experiência cultural interessantíssima. Um retrato do povo argentino. Do seu modo de fazer. Cuidadoso, belo e eficaz.

Quem for à Argentina, portanto, não pode deixar de experimentar essa iguaria, motivo de orgulho argentino. Nem mesmo as dezenas de empanadas empilhadas na vitrine fazem aquela iguaria perder seu charme e sensualidade. Experimente de todas e eleja a sua favorita. Coma em pé, sentado, com as mãos, de garfo e faca. Como toda experiência cultural, degustar uma empanada deve ser levada ao máximo das possibilidades!

Buenos Aires, Argentina – Introdução

Quando chegamos pela primeira vez, pela janela do lado direito do avião já se podia ver a cidade esquadrinhada à beira do rio, no vasto plano que se estende por quilômetros. Como já era fim de tarde, havia um dourado de sol que conferia aos prédios comportados um brilho de ouro encantador. Ver tudo isso foi como um alento, depois de algumas horas voando sobre as nuvens. Um respiro de esperança e acolhimento, à despeito de uma possível frieza que o traçado reticular pudesse inspirar.Era Buenos Aires anunciando que a viagem seria fantástica. E foi!

Ah! Buenos Aires, mi querido! Não há quem vá a Buenos Aires, na Argentina, e volte indiferente. Normalmente, é uma relação de amor eterno o que se desenvolve. No nosso caso, foi mesmo amor eterno e confesso, tanto que já fomos lá duas vezes. Na segunda vez, estendendo para a cidade de Rosário, na província de Santa Fé, mas nunca deixando de passar na cidade fantástica onde o Tango, a boa comida e a arquitetura encantadora se fazem presente em (quase) todas as esquinas.

A Argentina já foi um dos países mais ricos do Globo, o que permitiu que construíssem uma belíssima Capital Federal, com prédios inspirados na arquitetura francesa e o traçado urbano típico das colônias espanholas. Com calçadas largas, em sua maioria bem cuidadas, arborizada, quase sem ladeiras expressivas, prédios mistos que oferecem muito o que ver ao pedestre, a cidade de Buenos Aires é um convite à caminhada despretensiosa. Rápido ou lento, o ritmo das suas passadas você é quem escolhe. Não parece existir, no ar, aquela urgência de grandes metrópoles, como São Paulo, em que todos parecem estar correndo, até os turistas!

casa rosada

Você irá perceber como os porteños gostam de ficar na rua. Lendo, caminhando, tomando café, discutindo qualquer coisa (eles são briguentos, mas no campo das ideias). Aliás, ler é uma das atividades favoritas daquele povo. Isso explica a enorme quantidade de bancas de revistas e livrarias pela cidade. Quanto a serem briguentos, eles são mesmo. Não deixam passar barato algo que os estejam incomodando, mas não partem para a agressão física. Isso fica na expressão vocal (e gestual) do descontentamento. É até interessante de ver uma população que não deixa de protestar. E aqui temos uma instituição argentina: o protesto.

Todos os dias da semana, de todos os meses, de todos os anos será fácil encontrar algum protesto rolando em alguma parte da cidade. E eles protestam contra qualquer coisa, mas sempre no melhor estilo: com uma Quilmes na mão. E aí temos a segunda instituição argentina: a famosa cerveja Quilmes. Como eu não bebo cerveja, não tenho como opinar, mas escuto muitos elogios à bebida. Quem for, experimente e me diga, ok? Os protestos são, em sua maioria, muito pacíficos e se tratam, basicamente, de uma caminhada segurando faixas e cervejas. Vai lá, se joga, não seja tímido e faça uma selfie no meio do protesto!

Não esqueça, também, de experimentar as deliciosas empanadas argentinas, que são uma espécies de pastéis recheados. Diferente das empanadas venezuelanas, as argentinas são assadas, mas ambas são muito saborosas. Os tradicionais sabores são jamón y queso (presunto e queijo), queso, carne e cebolla y queso (cebola e queijo), mas há tantos outros mais. Experimente todas para descobrir qual o seu preferido. Como eu não gosto muito de cebola, esse foi o meu menos preferido. Mas eu sou simplesmente obssessivo com empanadas. No posto da esquina do meu trabalho vendem empanadas argentinas e eu pago feliz (pero no mucho) os R$ 6 reais que me cobram…

Puerto Madero à noite: iluminado, mas meio deserto.
Puerto Madero à noite: iluminado

Para Começar

 

A cidade dispões de inúmeras casas de câmbio concentradas na região do centro, pelas Calles Sarmiento e Florida. Evite as da Florida, são para turistas e você é um viajante. Quando nós estivemos lá, fizemos o câmbio no Banco Piano, na calle San Martín. Era a melhor cotação, na época. Mas, a Argentina enfrenta crise econômica severa e o câmbio flutua ferozmente diariamente. O Real está, nesse momento, bastante fortalecido ante ao peso e isso atrai a atenção dos lojistas. Há muitos anos que as lojas e estabelecimentos aceitam o Real como forma de pagamento e isso cresceu nos últimos tempo. O lado ruim disso é que o câmbio nem sempre é o mais vantajoso. Então, só deixe para usar seus reaizinhos em último caso, ok? Mais vale fazer o câmbio em algum banco ou casa de câmbio. E se tiver dólares, então, melhor ainda! O Dólar está super valorizado ante ao peso.

Aqui, deve-se abrir um parênteses e esclarecer uma coisa. Há diversas pessoas que estão viajando à Argentina e fazendo o câmbio em locais clandestinos, numa espécie de câmbio paralelo. Obviamente, o câmbio, nesses casos, é muito mais vantajoso em relação às corretoras oficiais. Mas, cuidado! Muito cuidado! Além de ilegal, muitos desses locais acabam passando cédulas falsas e o barato acaba saindo muito caro! Não recomendo esse método!

No aeroporto, faça o câmbio mínimo necessário para pegar o transporte até a cidade. Existem dois aeroportos, mas o mais utilizado para voos chegados do Brasil é o de Ezeiza, fora de Buenos Aires. Lá você terá duas opções, em geral, para chegar até Buenos Aires. Uma é o taxi comum e a outra são os Remis da Tienda León. Os Remis são como táxis, mas com preços e trajetos pré-fixados. Você se dirige ao balcão da companhia, no aeroporto, e compra um tíquete para o trajeto desejado ou você pode entrar no site da Tienda León e adquirir o bilhete online.

É interessante, também, lembrar que muitos portenhos estão falando português, uma vez que Buenos Aires entrou na rota turística básica dos brasileiros. Então, falando devagar e bem pronunciado, você não terá problemas em se comunicar. Só lembre de uma coisa, peloamordeDeus! Cartão de crédito, em castelhano, se diz “tarjeta” (tarreta) e não “cartón”! A palavra foi tão usada pelos brasileiros que, quando nós chegamos numa loja, na hora de pagar a própria balconista perguntou: “cartón”? Nós estamos destruindo o idioma deles!!! Portanto, leitor amado, TARJETA! Pelo menos isso…

Como se localizar

 

Andar por Buenos Aires, assim como qualquer cidade de colonização espanhola, é extremamente simples e, ao mesmo tempo, um pouco desorientador. Simples por que a cidade tem um traçado reticular, com quadras de tamanho homogêneo e grandes avenidas inclinadas que unem as diversas áreas da cidade. As quadras possuem placas em suas esquinas que apresentam o primeiro número daquela quadra e o último número daquela quadra. Normalmente, os números de quadras sobem de 100 em 100.

[Assim, digamos que você esteja no número 3000 da Av. Corrientes e necessita chegar até o número 3300. Nesse caso, você precisará caminhar cerca de três quadras, ou seja, cerca de 300m. Fácil!]

Como as ruas e avenidas são muito longas e, ao contrário do Brasil, não mudam de nome várias vezes ao longo de sua extensão, os portenhos costumam se localizar pelas esquinas. Para chegar em algum lugar de taxi, por exemplo, será muito mais eficaz informar a referência do cruzamento mais próximo do seu destino. “Av, Santa Fé, 1100”, por exemplo, pode soar vago demais para alguém que queira se localizar. Assim, informar o cruzamento mais próximo pode ser a solução para não passar horas rodando no táxi.

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O difícil fica por conta da própria homogeneidade da cidade. A impressão é que as quadras são muito parecidas entre si! Quase todas as esquinas contam com um Maxi Kiosco (espécie de mercearia) e isso pode confundir você um pouco. Mas, nada que vá deixar você perdido para sempre. É questão de horas de caminhada até começar a decorar os lugares. =D

Como se locomover

 

Se locomover em Buenos Aires é muito simples. A cidade é servida de ônibus, metrô, ciclovias e táxis, muitos táxis!

Ao entrar no ônibus, você verá que não há cobradores. Eles são os próprios motoristas! Ao subir pela porta da frente, diga ao motorista até onde você vai e ele lhe dirá o quanto pagar. “Uno con veinte”! Aí você vai depositar moedinhas no coletor logo atrás do condutor equivalente ao preço dito por ele. Atenção! Os ônibus só aceitam moedinhas, portanto, ande sempre com moneditas no bolso e alguns ônibus dão troco, outros, não! Fique atento para a placa de “NO VUELTO”, ou seja, sem troco. Nesse caso, insira na máquina a quantia exata de sua passagem.

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O metrô funciona bem, mas nós não andamos quase nenhuma vez nele. Não foi necessário! A única vez que pegamos o metrô foi na linha A, para andar no trem que está lá desde a inauguração da linha, em 1913. Eis uma experiência turística que vale a pena! Muito legal a composição com bancos de madeira, luminárias e todo um ar de antigamente que, sinceramente, tem muito a ver com o charme da cidade.

Os táxis de Buenos Aires são, tradicionalmente, muito baratos. Mesmo em época de crise e altas loucas de preços, acredito que os táxis ainda sejam uma boa opção de locomoção pela cidade, especialmente se você estiver em grupo. Eles são muitos e estão por toda a parte e exigem um cuidado na hora de serem utilizados. Há muitos táxis “clandestinos” na cidade, então dê preferência aos que têm a inscrição “Radio Taxi“, pois eles são participantes de uma cooperativa, o que dá respaldo ao taxista. Outro cuidado a se ter é o de não usar cédulas de valor muito alto para pagar a corrida. Há muitas cédulas falsas em circulação na Argentina e há muitos relatos de pessoas que receberam essas cédulas de taxistas. Como as corridas são baratas, pagar com notas altas fará com que seu troco seja igualmente grande. No meio das muitas notas do troco, podem vir algumas falsas. Cuidado!

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Agora, se você quer experimentar a cidade em todo o seu potencial, ande! Buenos Aires tem largas e bem cuidadas calçadas (pelo menos, em comparação às calçadas brasileiras…), é arborizada e tem muitos prédios mistos que oferecem o que ver enquanto você caminha. Andar é o melhor modo de conhecer qualquer cidade, pois você vai tendo contato com os locais e a sua cultura. Nós andamos muito todas as vezes que fomos lá! Então, nosso conselho para aproveitar a cidade da maneira mais imersiva é: ande!

Buenos Aires é uma cidade encantadora e, mesmo com todos os problemas econômicos que a Argentina enfrenta, ela não perde o charme, com sua arquitetura de inspiração francesa. Os porteños continuam não muito simpáticos, mas isso faz parte. Tenha uma experiência completa na cidade conversando com os bonaerenses (os nativos de Buenos Aires!), comendo a maravilhosa empanada de todos os variados sabores ou, simplesmente, sentando num café e apreciando a vista.

 

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