Buenos Aires, Argentina – Introdução

Quando chegamos pela primeira vez, pela janela do lado direito do avião já se podia ver a cidade esquadrinhada à beira do rio, no vasto plano que se estende por quilômetros. Como já era fim de tarde, havia um dourado de sol que conferia aos prédios comportados um brilho de ouro encantador. Ver tudo isso foi como um alento, depois de algumas horas voando sobre as nuvens. Um respiro de esperança e acolhimento, à despeito de uma possível frieza que o traçado reticular pudesse inspirar.Era Buenos Aires anunciando que a viagem seria fantástica. E foi!

Ah! Buenos Aires, mi querido! Não há quem vá a Buenos Aires, na Argentina, e volte indiferente. Normalmente, é uma relação de amor eterno o que se desenvolve. No nosso caso, foi mesmo amor eterno e confesso, tanto que já fomos lá duas vezes. Na segunda vez, estendendo para a cidade de Rosário, na província de Santa Fé, mas nunca deixando de passar na cidade fantástica onde o Tango, a boa comida e a arquitetura encantadora se fazem presente em (quase) todas as esquinas.

A Argentina já foi um dos países mais ricos do Globo, o que permitiu que construíssem uma belíssima Capital Federal, com prédios inspirados na arquitetura francesa e o traçado urbano típico das colônias espanholas. Com calçadas largas, em sua maioria bem cuidadas, arborizada, quase sem ladeiras expressivas, prédios mistos que oferecem muito o que ver ao pedestre, a cidade de Buenos Aires é um convite à caminhada despretensiosa. Rápido ou lento, o ritmo das suas passadas você é quem escolhe. Não parece existir, no ar, aquela urgência de grandes metrópoles, como São Paulo, em que todos parecem estar correndo, até os turistas!

casa rosada

Você irá perceber como os porteños gostam de ficar na rua. Lendo, caminhando, tomando café, discutindo qualquer coisa (eles são briguentos, mas no campo das ideias). Aliás, ler é uma das atividades favoritas daquele povo. Isso explica a enorme quantidade de bancas de revistas e livrarias pela cidade. Quanto a serem briguentos, eles são mesmo. Não deixam passar barato algo que os estejam incomodando, mas não partem para a agressão física. Isso fica na expressão vocal (e gestual) do descontentamento. É até interessante de ver uma população que não deixa de protestar. E aqui temos uma instituição argentina: o protesto.

Todos os dias da semana, de todos os meses, de todos os anos será fácil encontrar algum protesto rolando em alguma parte da cidade. E eles protestam contra qualquer coisa, mas sempre no melhor estilo: com uma Quilmes na mão. E aí temos a segunda instituição argentina: a famosa cerveja Quilmes. Como eu não bebo cerveja, não tenho como opinar, mas escuto muitos elogios à bebida. Quem for, experimente e me diga, ok? Os protestos são, em sua maioria, muito pacíficos e se tratam, basicamente, de uma caminhada segurando faixas e cervejas. Vai lá, se joga, não seja tímido e faça uma selfie no meio do protesto!

Não esqueça, também, de experimentar as deliciosas empanadas argentinas, que são uma espécies de pastéis recheados. Diferente das empanadas venezuelanas, as argentinas são assadas, mas ambas são muito saborosas. Os tradicionais sabores são jamón y queso (presunto e queijo), queso, carne e cebolla y queso (cebola e queijo), mas há tantos outros mais. Experimente todas para descobrir qual o seu preferido. Como eu não gosto muito de cebola, esse foi o meu menos preferido. Mas eu sou simplesmente obssessivo com empanadas. No posto da esquina do meu trabalho vendem empanadas argentinas e eu pago feliz (pero no mucho) os R$ 6 reais que me cobram…

Puerto Madero à noite: iluminado, mas meio deserto.
Puerto Madero à noite: iluminado

Para Começar

 

A cidade dispões de inúmeras casas de câmbio concentradas na região do centro, pelas Calles Sarmiento e Florida. Evite as da Florida, são para turistas e você é um viajante. Quando nós estivemos lá, fizemos o câmbio no Banco Piano, na calle San Martín. Era a melhor cotação, na época. Mas, a Argentina enfrenta crise econômica severa e o câmbio flutua ferozmente diariamente. O Real está, nesse momento, bastante fortalecido ante ao peso e isso atrai a atenção dos lojistas. Há muitos anos que as lojas e estabelecimentos aceitam o Real como forma de pagamento e isso cresceu nos últimos tempo. O lado ruim disso é que o câmbio nem sempre é o mais vantajoso. Então, só deixe para usar seus reaizinhos em último caso, ok? Mais vale fazer o câmbio em algum banco ou casa de câmbio. E se tiver dólares, então, melhor ainda! O Dólar está super valorizado ante ao peso.

Aqui, deve-se abrir um parênteses e esclarecer uma coisa. Há diversas pessoas que estão viajando à Argentina e fazendo o câmbio em locais clandestinos, numa espécie de câmbio paralelo. Obviamente, o câmbio, nesses casos, é muito mais vantajoso em relação às corretoras oficiais. Mas, cuidado! Muito cuidado! Além de ilegal, muitos desses locais acabam passando cédulas falsas e o barato acaba saindo muito caro! Não recomendo esse método!

No aeroporto, faça o câmbio mínimo necessário para pegar o transporte até a cidade. Existem dois aeroportos, mas o mais utilizado para voos chegados do Brasil é o de Ezeiza, fora de Buenos Aires. Lá você terá duas opções, em geral, para chegar até Buenos Aires. Uma é o taxi comum e a outra são os Remis da Tienda León. Os Remis são como táxis, mas com preços e trajetos pré-fixados. Você se dirige ao balcão da companhia, no aeroporto, e compra um tíquete para o trajeto desejado ou você pode entrar no site da Tienda León e adquirir o bilhete online.

É interessante, também, lembrar que muitos portenhos estão falando português, uma vez que Buenos Aires entrou na rota turística básica dos brasileiros. Então, falando devagar e bem pronunciado, você não terá problemas em se comunicar. Só lembre de uma coisa, peloamordeDeus! Cartão de crédito, em castelhano, se diz “tarjeta” (tarreta) e não “cartón”! A palavra foi tão usada pelos brasileiros que, quando nós chegamos numa loja, na hora de pagar a própria balconista perguntou: “cartón”? Nós estamos destruindo o idioma deles!!! Portanto, leitor amado, TARJETA! Pelo menos isso…

Como se localizar

 

Andar por Buenos Aires, assim como qualquer cidade de colonização espanhola, é extremamente simples e, ao mesmo tempo, um pouco desorientador. Simples por que a cidade tem um traçado reticular, com quadras de tamanho homogêneo e grandes avenidas inclinadas que unem as diversas áreas da cidade. As quadras possuem placas em suas esquinas que apresentam o primeiro número daquela quadra e o último número daquela quadra. Normalmente, os números de quadras sobem de 100 em 100.

[Assim, digamos que você esteja no número 3000 da Av. Corrientes e necessita chegar até o número 3300. Nesse caso, você precisará caminhar cerca de três quadras, ou seja, cerca de 300m. Fácil!]

Como as ruas e avenidas são muito longas e, ao contrário do Brasil, não mudam de nome várias vezes ao longo de sua extensão, os portenhos costumam se localizar pelas esquinas. Para chegar em algum lugar de taxi, por exemplo, será muito mais eficaz informar a referência do cruzamento mais próximo do seu destino. “Av, Santa Fé, 1100”, por exemplo, pode soar vago demais para alguém que queira se localizar. Assim, informar o cruzamento mais próximo pode ser a solução para não passar horas rodando no táxi.

cidade

O difícil fica por conta da própria homogeneidade da cidade. A impressão é que as quadras são muito parecidas entre si! Quase todas as esquinas contam com um Maxi Kiosco (espécie de mercearia) e isso pode confundir você um pouco. Mas, nada que vá deixar você perdido para sempre. É questão de horas de caminhada até começar a decorar os lugares. =D

Como se locomover

 

Se locomover em Buenos Aires é muito simples. A cidade é servida de ônibus, metrô, ciclovias e táxis, muitos táxis!

Ao entrar no ônibus, você verá que não há cobradores. Eles são os próprios motoristas! Ao subir pela porta da frente, diga ao motorista até onde você vai e ele lhe dirá o quanto pagar. “Uno con veinte”! Aí você vai depositar moedinhas no coletor logo atrás do condutor equivalente ao preço dito por ele. Atenção! Os ônibus só aceitam moedinhas, portanto, ande sempre com moneditas no bolso e alguns ônibus dão troco, outros, não! Fique atento para a placa de “NO VUELTO”, ou seja, sem troco. Nesse caso, insira na máquina a quantia exata de sua passagem.

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O metrô funciona bem, mas nós não andamos quase nenhuma vez nele. Não foi necessário! A única vez que pegamos o metrô foi na linha A, para andar no trem que está lá desde a inauguração da linha, em 1913. Eis uma experiência turística que vale a pena! Muito legal a composição com bancos de madeira, luminárias e todo um ar de antigamente que, sinceramente, tem muito a ver com o charme da cidade.

Os táxis de Buenos Aires são, tradicionalmente, muito baratos. Mesmo em época de crise e altas loucas de preços, acredito que os táxis ainda sejam uma boa opção de locomoção pela cidade, especialmente se você estiver em grupo. Eles são muitos e estão por toda a parte e exigem um cuidado na hora de serem utilizados. Há muitos táxis “clandestinos” na cidade, então dê preferência aos que têm a inscrição “Radio Taxi“, pois eles são participantes de uma cooperativa, o que dá respaldo ao taxista. Outro cuidado a se ter é o de não usar cédulas de valor muito alto para pagar a corrida. Há muitas cédulas falsas em circulação na Argentina e há muitos relatos de pessoas que receberam essas cédulas de taxistas. Como as corridas são baratas, pagar com notas altas fará com que seu troco seja igualmente grande. No meio das muitas notas do troco, podem vir algumas falsas. Cuidado!

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Agora, se você quer experimentar a cidade em todo o seu potencial, ande! Buenos Aires tem largas e bem cuidadas calçadas (pelo menos, em comparação às calçadas brasileiras…), é arborizada e tem muitos prédios mistos que oferecem o que ver enquanto você caminha. Andar é o melhor modo de conhecer qualquer cidade, pois você vai tendo contato com os locais e a sua cultura. Nós andamos muito todas as vezes que fomos lá! Então, nosso conselho para aproveitar a cidade da maneira mais imersiva é: ande!

Buenos Aires é uma cidade encantadora e, mesmo com todos os problemas econômicos que a Argentina enfrenta, ela não perde o charme, com sua arquitetura de inspiração francesa. Os porteños continuam não muito simpáticos, mas isso faz parte. Tenha uma experiência completa na cidade conversando com os bonaerenses (os nativos de Buenos Aires!), comendo a maravilhosa empanada de todos os variados sabores ou, simplesmente, sentando num café e apreciando a vista.

 

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